Caminhada aventura de Talim a Lisboa!

O longo caminho até Pärnu

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O longo caminho para… podia ser o titulo de muitos dos nossos artigos. Como tentamos ficar o mais próximo da costa e o mais afastado das estradas principais quanto possível, regularmente caminhamos um distancia muito maior de A para B do que o caminho direto. Isto aconteceu na semana em que caminhámos 128km de Virtsu, onde o ferry de Muhu chega, até Pärnu, a quarta maior cidade da Estónia. Se tivéssemos escolhido o caminho mais direto de 66km, teríamos chegado em 3 dias, mas assim não teríamos tantas historias para contar com temos agora.

Estava ensolarado e sem vento, o vigésimo dia da nossa caminhada, quando apanhámos o ferry para o continente. Depois de comer um pequeno-almoço reforçado no barco e fazermos compras de mercearia em Virtsu, estávamos prontos para continuar o nosso caminho para sul. Tivemos um certo déjà vu quando passámos uma estação de comboio abandonada e continuámos o trilho de caminhada em linha reta. Deixámos a linha-de-comboio após alguns quilómetros, atravessando uma floresta de bétulas e campos verdejantes. Para o nosso almoço e intervalo de recuperação, encontrámos um banco junto a um moinho de vento restaurado. Não estávamos muito preocupados que pertencesse a um campo de férias uma vez que quase não estava lá ninguém e as únicas pessoas presentes cumprimentaram-nos e abalaram.

Durante a tarde aproximámos-nos do local onde íamos dormir nessa noite. Como era localizado na costa, tivemos de caminhar cerca de 2 km desde a estrada – os 2 km mais compridos do dia. Nós devemos ter sido crianças bem comportadas, pois aconteceu o oposto do dia anterior: Recebemos um Upgrade! Como não haviam outras pessoas, eles não quiseram aquecer a casa grande, onde tínhamos reservado um quarto, em alternativa deram-nos a cabana do capitão. Imaginem uma espaçosa casa de madeira totalmente equipada à beira-mar e com uma pequena praia privada. Adicionem uma sauna e têm o nosso local para passar noite. Adivinhem o que fizémos nessa noite? Aquecemos a nossa sauna e refrescámos-nos nas calmas águas da baía!

No dia 21, tivemos sorte com o tempo e com a nossa rota: Começámos a caminhar pela estrada principal durante aproximadamente uma hora, e o nosso GPS indicava que tínhamos de continuar por ela, pois não haviam caminhos alternativos. Quando parámos para uma fazer uma pausa, o José fez sinal a um carro que passava e perguntou ao condutor por direções. Era a carteira e ela sabia tudo sobre os caminhos em redor! Pelas suas indicações pudemos caminhar por estradas calmas e de terra batida até chegarmos ao nosso hotel. Na realidade o lugar chamava-se “Motel”, mas em vez de quartos sem grande qualidade e empregados resmungões, encontrámos um edifício claro, com pessoal amigável e mesmo junto à costa. Tivemos um ótimo jantar de almôndegas de javali e terminámos o dia a ver o bonito por-do-sol do nosso terraço privado.

No dia seguinte, começámos a caminhar imediatamente após o pequeno-almoço. No mapa, tínhamos encontrado um lugar para acampar a uma distância aceitável e a empregada do hotel encorajou-nos a ir lá, uma vez que era um local muito bonito e perto de um rio. Seria ai onde passaríamos a noite! A cerca de 2km do hotel o José descobriu que não tinha a carteira. Não havia outra solução, ele tinha de regressar enquanto a Moiken continuava até à próxima kauplus e fazia compras. Felizmente ele voltou com a carteira, mas este imprevisto adicionou 4km à sua distância do dia.

Continuámos para o local de acampamento e até levávamos salsichas e cervejas connosco para preparar um delicioso churrasco no bosque. O local era realmente perfeito; protegido por árvores e perto de uma nascente, um grelhador de ferro e lenha à disposição. Só havia um pequeno problema: acampar era explicitamente proíbido. Ainda pensámos em ignorar o sinal, uma vez que ninguém nos ia mesmo ver. Mas como a razão para a proíbição era devido ao facto de o solo ser muito frágil para suportar tendas e não queríamos ser nós os destruidores daquele paraíso, seguimos para o plano B. Fazer o nosso churrasco e descansar antes de caminhar à procura e um lugar onde ficar. Felizmente os dias são longos nesta altura do ano, pois eram quase 6 horas da tarde quando partimos. Passámos por grandes planícies sem árvores onde os únicos seres vivos eram os pássaros à nossa volta e um veado fugindo quando nos pressentiu. Finalmente encontrámos uma estalagem, mas ainda não tinha aberto nesta temporada e não havia ninguém a quem perguntar se podíamos acampar. Agora estávamos à procura de qualquer lugar apropriado para montar a tenda. Enquanto pensávamos onde o encontrar, passámos por uma grande casa de família. Como de habito, cumprimentámos os seus habitantes e como a resposta veio em tom amigável, José perguntou à senhora: “Com licença, poderia dizer-me onde há um lugar para ficarmos esta noite?” Ela nos convidou para entrar e foi chamar uma outra senhora que falava inglês.
Meia hora depois, estávamos sentados na sua casa de visitas, com um chá quente e o jantar à nossa frente! Sra. Hansen e sua sogra não iam permitir que dormíssemos na nossa tenda, pois isso seria frio demais. Em vez disso, acenderam a lareira na casa de visitas, fizeram a cama e não nos deixaram passar fome. Como foi uma noite agradável, Sra. Hansen nos convidou para um passeio até a praia, e ofereceu-nos um copo de vinho para tomar enquanto apreciássemos o por-do-sol. Moiken podia conversar com ela um pouco em russo, mas seu vocabulário limitado não foi suficiente para explicar à simpática senhora a nossa ideia maluca de caminhar pela Europa durante um ano.
Fomos dormir muito contentes com esta prova de gentileza das pessoas e como uma situação difícil podia tornar-se numa experiência bonita.

Queríamos ter ficado mais tempo com esta família simpática, mas precisávamos chegar à próxima vila antes da chuva anunciada, de modo que podíamos ter a nossa pausa de almoço num lugar seco e quente.
Conseguimos chegar a Tõstamaa bem na hora em que a chuva começou, e o restaurante que encontrámos era tão aconchegante que passámos lá quase 4 horas, entre alomoço, café e uma conversa com as proprietárias do lugar. Ainda faltavam 10 km de caminhada até o lugar onde passaríamos a noite e onde estavam a nossa espera, portanto tínhamos de sair. Decidimos seguir um trilho pequeno que segundo o mapa ajudava-nos a evitar a estrada principal. Depois de 2 km, o trilho acabou num pequeno riacho que era impossível atravessar, então tínhamos de voltar o caminho todo. Uma hora de caminhada em vão por causa da nossa tentativa falhada de não caminhar pela estrada principal. Quando finalmente chegámos, estávamos tão cansados que nem nos importámos com a cabana minúscula. Casa de banho e chuveiro externos – sem problema. O preço era bastante elevado para o nível de alojamento – sim, mas oferecem pequeno-almoço. Até ligámos para o proprietário do “Campo das Flores” para estender a estadia por mais uma noite, para ter um dia de descanso no próximo dia. Antes de contar até três, a Moiken já estava a dormir.
O José não. Assim que apagámos as luzes, ele ouviu um barulho de algo a arranhar a parede de madeira. O barulho não veio de dentro da cabana, mas parecia-lhe que isto podia mudar a qualquer momento. Não precisamos mencionar que ele não conseguiu fechar um olho naquela noite.

A Moiken acordou com o mesmo barulho. Por isso, quando tomámos o pequeno-almoço (servido na cozinha usada pelo empregado do sítio), decidimos sair e procurar outro lugar para ficar. Havia um alojamento não muito longe daí, onde reservámos um quarto antes de cancelar a nossa extensão, arrumar as mochilas e sair do lugar o mais rápido possível.
Assim dividimos o nosso “dia de descanso” em dois. Dia 24 caminhámos 9 km até o nosso novo alojamento, o que revelou-se uma ótima decisão. Ficámos num quarto bonito, limpo e espaçoso com casa de banho própria, tivemos um excelente jantar de comida caseira e até pudemos lavar a nossa roupa sem pagar extra.

No dia seguinte fizemos uma caminhada de 12 km com tempo quente e ensolarado, durante a qual chegámos à baía de Pärnu. A partir daí, uma estrada secundária seguiu a costa toda, mas foi apenas no pequeno porto de pesca de Lindi, onde passámos a noite, que voltámos a ver o mar. Lindi Sadam (porto de Lindi) não tinha grandes atrações fora da sua localização junto ao mar, mas havia um kauplus, portanto não precisámos carregar as nossas compras por muito tempo – o que significava poder tomar uma cerveja ao jantar! Ao lado do nosso quarto tinha uma cozinha totalmente equipada, de modo que José pude preparar um bom jantar de frango e salada para nós.

No dia 26 voltámos a nossa rotina de caminhar 20 km ou mais, mas fizemos bom progresso, porque finalmente chegávamos a Pärnu! (Lembrem-se: cidade = restaurantes, cafés, supermercados, entretenimento…) Nós íamos ficar na casa de um anfitrião do Couchsurfing, e estávamos curiosos como a experiência seria desta vez.
O trilho foi fácil de seguir e estávamos perto da costa pela maior parte de tempo. Na verdade, este foi um dos trilhos mais fixes até agora, perdendo pontos apenas pela estrada empoeirada (felizmente, havia poucos veículos nela) e pelas moscas. Encontrámos um lugar bonito para o almoço e depois continuámos até Pärnu. O tempo tinha mudado depois do meio-dia e estávamos completamente equipados com proteção de mochila e capas de chuva quando chegámos ao primeiro bairro da cidade. Ruas com as casinhas de madeira alinhadas tornaram a entrada muito bonita.
Faltavam ainda duas horas até a hora combinada com o nosso anfitrião quando chegámos à morada dele, perto do centro da cidade. Por nossa sorte, ele vive pertinho de uma pastelaria, portanto não havia dúvidas onde esperar por ele. O Urmas nos buscou na pastelaria e deixámos as nossas mochilas na casa dele. Ele aluga um estúdio lindamente renovado dentro de um prédio da era soviética (nem um pouco renovado; parece que se recua no tempo quando se entra no prédio e que se volta ao ano 2015 quando se abre a porta do apartamento do Urmas). Dentro das opções para jantar em Pärnu, optámos por experimentar a melhor pizza do mundo (!), que realmente estava deliciosa. Como ainda havia muito assunto para conversa, mudámo-nos para um bar de cervejas artesanais, onde provámos várias cervejas locais e internacionais. Quando voltámos à casa dele, finalizamos uma grande noite com um cálice de conhaque francês.

Urmas teve de se levantar cedo no outro dia para ir trabalhar; nós ficámos bem contentes de poder dormir mais um pouco para curar a ressaca. Pärnu é popular no verão por causa da sua praia de areia sem fim, e durante o ano todo por causa dos tratamentos de spa. Estava um pouco frio para o primeiro, mas o segundo trouxe boas lembranças de Haapsalu. Então ligámos para o hotel-spa do lugar para reservar um horário para massagem (banho de lama foi vetado por um de nós e os nossos ombros e costas estavam a precisar de um tratamento mais localizado).
No restante da manhã, caminhámos pela cidade velha de Pärnu com seus lindos prédios do final do século passado e seus parques românticos. Não era de se surpreender que a atração à qual queríamos chegar era o mercado antigo. Nós simplesmente adoramos os mercados! Bem, este foi um puco decepcionante, pois não era exatamente antigo – a não ser que se considere 40 anos antigo (com o qual jamais concordaríamos, é claro) – e 80% das lojas vendiam – roupa. Estávamos numa missão de encontrar algo bom para preparar no jantar e o José acabou por encontrar um talho onde comprámos uma boa peça de costeletas de porco. Para os outros ingredientes, fomos ao supermercado.
Depois voltámos ao apartamento para começar os preparativos para o prato especial do José nesta noite: costeletas de porco recheadas com ameixas secas e batatinhas assadas no forno. No final, tivemos de apressar-nos para conseguir chegar ao hotel-spa a tempo da nossa marcação, pois ficava bem mais longe do que pensávamos. A massagem compensou o esforço e os nossos músculos agradeceram. Quando voltámos ao apartamento de Urmas, descobrimos que tínhamos caminhado 11 km naquele dia – num dia de descanso!
Acabámos os preparativos para o jantar, o que foi bem divertido numa cozinha de um solteiro, e mais tarde saboreámos um jantar delicioso e um bom vinho tinto junto com o nosso anfitrião. A Moiken estava encarregada da sobremesa, uma tarefa fácil, já que o Urmas gostava de Vana Tallinn e ainda não tinha provado o gelado. Chegou a hora de despedir-nos do Urmas e de Pärnu; dentro de poucos dias, estaríamos a atravessar a primeira fronteira da nossa caminhada!

a carregar o mapa - aguarde por favor...

Ferry Kuivastu: 58.573428, 23.396072
Ferry Virtsu: 58.576132, 23.507588
Kuivastu Jaani: 58.576223, 23.375517
Sarnakõrtsi: 58.330799, 24.289146
Maria Talu Guesthouse: 58.297276, 24.159687
Jaak Tomsoni Lillestuudio: 58.289037, 24.045660
Hansen Family: 58.355660, 23.850482
Ranna Motell: 58.434431, 23.681823
Paatsalu Puhkekeskus Guesthouse: 58.524835, 23.678563
Urmas: 58.390306, 24.484412

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Estatisticas

km

12 países atravessados
319 dias de caminhada
89 dias de descanso

Actualizado em 11/06/2016 – CHEGAMOS A LISBOA!