Caminhada aventura de Talim a Lisboa!

A ponta da Estónia

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No dia 8, começámos a caminhar num trilho muito agradável no meio da floresta. Depois de algum tempo, a vegetação à esquerda e à direita da trilha mudava de pinheiros para bétulas para arbustos. A superfície ao lado e no trilho ficava cada vez mais molhada – estávamos no meio do pântano novamente! Só que desta vez estávamos a seguir um trilho oficial, portanto saltitámos com confiança de um trecho seco para o próximo até que o trilho estava bom para caminhar novamente. Tudo correu bem e até adorámos a experiência. O cenário era magnífico; árvores, arbustos, gramíneas e flores reflectidos na água escura e diferentes pássaros a aproveitar o ambiente seguro. Foi um daqueles momentos em que estamos contentes de estar a caminhar, pois de carro ou mesmo de bicicleta não teríamos presenciado isto.

Um pouco mais tarde nesta manhã estávamos de volta ao mar! Céu azul e limpo, a água a brilhar ao sol, um banquinho a convidar-nos para sentar e apreciar a paisagem. Aceitámos o convite de bom grado, mas antes tínhamos de vestir os casacos quentes, porque o vento estava um pouco frio. Ah, que lugar perfeito para uma pausa! Podíamos descansar um pouco, ler, escrever… mas se calhar devíamos mudar-nos para os bancos de piquenique protegidos pelas árvores. Assim fizemos e conseguimos passar mais 15 minutos lá até que sentirmos frio demais para ficar. O lugar estava protegido do vento mas também do sol!

De volta à praia, estávamos determinados a segui-la até a cidade próxima, Nõva. Só que tinha acontecido uma mudança de cenário: Uma nuvem ENORME e escura amontoou-se no céu e moveu-se na nossa direcção. Tentámos não pensar em todas as tragédias de temporal de que nós já ouvimos falar e corajosamente continuámos a andar. A areia era boa de caminhar, não mole demais, mas logo o próximo obstáculo apareceu: Um rio vindo do interior a abrir o seu caminho pelas dunas para desaguar no mar. Não havia um lugar apropriado para atravessá-lo sem molhar os nossos sapatos. Então pensámos: “Antes pés molhados do que meias molhadas” e tirámos nossos sapatos e meias para passar o rio junto à praia. O nosso primeiro banho no Mar Báltico! Muito refrescante, embora a última coisa que precisávamos era de arrefecimento.

Com os sapatos calçados novamente, logo encontrámos o trilho pela floresta. Fizemos uma paragem junto a um lago muito idílico para descansar e tirar fotos, antes de seguir para Nõva, onde podíamos fazer compras para o acampamento desta noite. Nõva não apenas tinha um kauplus, mas também um kohvik! Isto parece-vos estónio? Bem, estas duas palavras fazem parte do nosso vocabulário de sobrevivência: “kauplus” ou “pood” é loja e “kohvik” um café, onde normalmente também vendem pequenas refeições a preços muito simpáticos. Como não há uma densidade muito alta destes lugares preciosos, aprendemos a identificá-los ao longo do nosso caminho.

Seguimos um trilho de caminhada pelo bosque em direcção à costa do lado Oeste de Nõva, onde havia dois parques de campismo da RMK. Decidimos ir para aquele junto a um lago, em vez de um junto à praia, com a esperança de haver menos vento no sítio neste dia. Não ficámos desapontados: À margem de um lago sereno encontrámos um lugar bom para montar a tenda, protegido pelas árvores. Esta noite, não estaríamos sozinhos no acampamento; uma rulote estava estacionada lá. Mas onde estavam os seus habitantes? Vimos duas varas de pesca junto a um pequeno cais de madeira, assim como uma cadeira de praia vazia em cima dele, ao sol. Um pouco mais tarde identificámos um pequeno barco insuflável no meio do canavial. Certo, um pescador vai ser o nosso companheiro de acampamento – esperamos que ele seja boa pessoa.
Montámos a tenda e jantámos em cima do cais, a aproveitar o sol. Foi curioso comer peixe enlatado enquanto os peixes vivos nadavam embaixo de nos. Depois de algum tempo, o pescador voltou e cumprimentou-nos em estónio. “Sorry, do you speak English?” “No, no English.” (Desculpe, você fala inglês? – Não, nada de inglês) “Deutsch?” “Ja, ich spreche ein bisschen Deutsch.” (Alemão? – Sim, falo um pouco de alemão.) Com uma língua em comum (até José participou na conversa!), descobrimos que o Peter era de Talim, tinha viajado por quase toda a Europa com a sua rulote e passava o seu tempo livre a pescar. Ele já estava no Allikajärv (Lago da Nascente) por alguns dias, mas jamais iria lá no Verão (“Pessoas demais que só querem fazer festa”). Quando o sol tinha baixado tanto que já não nos aquecia, voltámos à nossa tenda e o Peter foi para o lago para pescar mais um pouco.

Acordámos cedo na manhã seguinte com o amanhecer e com o cantar dos pássaros. Levantámos rapidamente para poder espreguiçar-nos, fazer a toalete da manhã e enrolar tudo novamente para caber dentro das nossas mochilas. Foi uma manhã ensolarada e tomámos o pequeno-almoço acompanhado de água fria, o que não teria sido tão ruim assim, se as temperaturas não estivessem tão baixas. Quando estávamos prontos para partir, o Peter apareceu fora da sua rulote, então fomos despedir-nos dele. Ele nos ofereceu café, e claro que aceitámos. Passámos a próxima hora a tomar café quente e envolvidos numa conversa muito interessante sobre o passado e o futuro da Estónia e sobre todas as boas razões por que deveria haver uma revolução.
Apesar do café e do sol brilhante, levou um tempo até alguma sensação voltar às nossas mãos geladas. Como caminhamos com bastões, elas estão constantemente expostas ao vento e ao frio.

A nossa próxima paragem foi Spithami, a ponta da Estónia. Ao menos é assim que a chamamos, pois é o ponto mais ao Noroeste do país (sem contar as ilhas). Passámos por uma aldeia charmosa com pequenas casas de madeira que poderiam ter saído de um livro de Astrid Lindgren. Provavelmente não é uma coincidência, porque esta parte da Estónia tem a maior comunidade de língua sueca e todas as placas são escritas nas duas línguas. A ponta da Estónia tem um farol e uma cabana de madeira com janelas de todos os lados pra proteger os observadores de pássaros do vento. De lá, conseguimos caminhar na praia até Dirhami, onde nós esperámos encontrar um pood. De facto o encontrámos e dentro dele algumas novas iguarias (como uma panqueca frita recheada com cebola e carne de porco, uma especialidade lituania) para o nosso almoço. O dono da loja tinha visitado Portugal e estava cheio de elogios sobre a variedade de frutas e verduras que lá encontrou. Depois de alguns dias de tomates, pepinos e maçãs, sabíamos de que ele estava a falar.

Nesta noite, íamos ficar em Roosta, um lugar difícil de encontrar no mapa, a não ser que se procure por Roosta Puhkeküla (Roosta Vila de Férias). Eles oferecem cabanas de férias assim como lugares para acampar, portanto optámos pela alternativa mais económica de dormir na nossa tenda e poder tomar um banho quente e utilizar as casas-de-banho. Quando lá chegámos à tarde, o sol ainda brilhava no céu azul, mas estávamos a sentir constantemente o vento gelado. Ao fazer o check-in, ainda perguntámos pelos preços das cabanas, infelizmente o custo estava muito acima do nosso orçamento. Eles ainda ofereceram-nos um desconto, mas não mudámos de idéia e ficámos com o lugar para a tenda junto ao mar. Brrrr!
Ainda havia bastante tempo até a hora de dormir, então primeiro sentámo-nos no terraço protegido do vento a saborear uma cerveja, depois mudámo-nos para o restaurante para um bom jantar. Quando chegou a hora de procurar o sítio para montar a tenda, o José foi falar com a recepcionista simpática e ela ofereceu mostrar-lhe uma das cabanas, mesmo se a gente não quisesse ficar com ela, quem sabe uma outra vez… José foi e realmente a cabana valia cada céntimo. Mas não, o nosso orçamento… Ela deve ter sentido pena de nos campistas gelados, pois logo ela perguntou se não queríamos ficar num dos lugares sem usar as toalhas e roupa de cama, por um preço muito mais baixo. Esta oferta não podíamos recusar, mas ficou ainda melhor. Quando voltámos para pagar a diferença, ela nos deixou dormir na sala de reuniões, sem cobrar mais! Usámos os nossos sacos-cama e toalhas, pudemos tomar um banho quente e tivemos um lugar quentinho para dormir (sem falar em casa-de-banho no quarto, electricidade e WiFi). Tänan, Liivi, somos muito gratos por sua bondade e flexibilidade!

No dia 10 da nossa caminhada, tínhamos de percorrer uma distância de 25 km até o lugar onde iríamos passar a noite, em Oru. Não era como se tivéssemos tido um dia de descanso no dia anterior, portanto estávamos um pouco preocupados. Por outro lado, Oru estava “apenas” a 19 km de Haapsalu, a cidade maior mas próxima, onde poderíamos ter um dia de descanso, então para o nosso planeamento foi uma boa ideia. Dividimos a distância em trechos de 5 km, entre os quais fizemos uma pausa para descansar e comer algo, o tempo estava seco, não demasiado frio nem quente, e tivemos estradas secundárias muito tranquilas para caminhar os primeiros 20 km. Assim, a caminhada correu bem e não havia maiores acontecimentos – a não ser talvez por uma apresentação ao vivo de um funcionário de serviço a fazer rapel num gerador eólico.

Quando chegámos a Kiige holiday farm (fazenda de férias), começou a chover – chegámos em boa hora! A proprietária simpática ofereceu-nos um quarto dentro da casa principal em vez de uma cabana no terreno da fazenda. Aceitámos contentemente, porque o quarto tinha bom aquecimento e estava próximo da casa-de-banho compartilhada. O pequeno-almoço na manhã seguinte foi um verdadeiro banquete: ovos com bacon, vários tipos de pão, uma selecção de queijos e fiambres e bolos – tudo servido com muito carinho na sala de estar da casa principal.
Desculpem-nos por falar tanto no pequeno-almoço. É a refeição mais importante do dia, especialmente antes de uma caminhada longa, e para nos é o momento em que o dono de um alojamento comercial mostra o quanto ele ou ela se importa com os seus hóspedes. Simplesmente começamos os dias de melhor ânimo depois de um bom pequeno-almoço com aquele extra que a gente não espera.

*NOTA PARA OS NOSSOS LEITORES DE LÍNGUA PORTUGUESA: A começar com este artigo, quem está a escrever em português é a Moiken. Ela é alemã e aprendeu português no Brasil, onde também se formou em Letras. Isto já faz um tempinho e agora ela ainda por cima tenta escrever em português europeu, uma novidade para ela.
Pedimos compreensão por eventuais erros e expressões diferentes do habitual. Sugestões são sembre bem-vindas!

a carregar o mapa - aguarde por favor...

RMK Allkajarv: 59.211655, 23.607624
Roosta Puhkekeskus: 59.159274, 23.518317
Kiige turismitallu: 59.005412, 23.708462
Puuna Öömaja B&B: 59.248505, 23.861079

4 Responses to A ponta da Estónia

  1. Ich lese Eure Wanderbeschreibungen mit großem Interesses. Auch oder gerade während meines Dienstes, um mich mit den wunderschönen Bildern entspannen zu können.
    Alles Gute und viele liebe Grüße Angelika

    • Liebe Angelika!
      Wir freuen uns sehr, dass unsere Berichte und Fotos dir Freude bereiten. Dass sie dir den Arbeitsalltag etwas aufhellen, ist noch viel besser! 🙂
      Hast du dir schon eine Strecke zum Mitwandern ausgesucht?
      Liebe Grüße, Moiken und José

  2. Queridos, é muito lindo poder viajar com vocês nesta aventura! Curtam cada momento, de dor ou de alegria desta experiencia inesquecivel! Fore abraço, Daniele

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Estatisticas

km

12 países atravessados
319 dias de caminhada
89 dias de descanso

Actualizado em 11/06/2016 – CHEGAMOS A LISBOA!