Caminhada aventura de Talim a Lisboa!

Jāņi – Solstício de Verão

Quando ainda estávamos em Kolka, recebemos uma mensagem do Aldis de Rīga que nos deixou muito felizes: Os seus amigos, que têm uma casa de férias ao sul de Kolka – no lado do Mar Báltico – estariam dispostos a receber-nos para as celebrações de Jāņi (solstício de verão)! Nos países bálticos, este feriado é tão importante como o Natal, senão mais importante, e ter de passá-lo sozinhos ia ser triste. Ainda faltavam alguns dias até o dia 23 de junho, por isso iniciámos a nossa descida ao longo da costa báltica.

O dia 51 começou com chuva forte. Mal tínhamos chegado à torre de observação no Cabo Kolka, começou a chover. Por sorte, a torre tinha um bom telhado, de forma que pudemos apreciar a vista até a chuva parar.
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Durante a nossa caminhada ao longo da praia, logo notámos que estávamos agora no mar aberto – havia mais ondas. Infelizmente, também notámos uma gigante nuvem cinzenta a crescer à nossa frente e quando ouvimos a primeira trovoada, demo-nos conta de que éramos os objetos mais altos na praia. A floresta à nossa esquerda oferecia mais proteção, por isso caminhámos lá até chegar à próxima aldeia.
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As aldeias pelas quais passávamos eram antigas aldeais de pescadores do povo dos livónios. Embora hoje em dia já não existam muitos livónios, eles procuram preservar a sua língua e cultura. As aldeias ainda têm o aspecto de antigamente e todas as placas estão escritas em letão e livónio.
As estradas que conectam as aldeias só podem ser usadas por veículos todo-terreno, o que era bom para nós, pois assim quase não vinham carros no nosso caminho. Passámos a noite na mesma aldeia para onde retornaríamos dois dias mais tarde para a festa de solstício de verão. Naquele dia, dormimos na nossa tenda num pequeno parque de campismo. Preparámos o nosso jantar na fogueira e até podíamos tomar chá quente, graças à panela que comprámos em Rīga.

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A desvantagem do parque foram os mosquitos; eles não incomodavam-nos de noite por causa da fogueira, mas de manhã estavam todos de volta e ainda traziam os seus filhotes. Nunca imaginávamos que mosquitos-bebê podiam incomodar tanto!
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Caminhámos na praia a maior parte do tempo, mas quando queríamos ver um cenário diferente, mudamos para um trilho na floresta. A certa altura chegámos a um parque de merendas, onde se podia acampar de graça. Conhecíamos estes sítios da Estónia, este era o primeiro que vimos na Letónia. Situado junto a um rio, havia um lugar para fazer fogueira e uma mesa de piquenique para cada tenda. Foi um bom lugar para ficar, por isso montámos a tenda – inicialmente para o descanso da tarde, mas acabámos por passar lá a noite.
Apenas havia dois problemas: Tinha chuvido durante o dia, o que deixou a lenha húmida, e não tínhamos encontrado nenhuma loja ao caminho, de forma que as nossas reservas de comida estavam a acabar. A solução? Com muita paciência e utilizando cada método de que nós lembrávamos, conseguimos acender uma bela fogueira. Quanto à comida, simplesmente comemos tudo o que ainda havia e esperámos pelo melhor para o próximo dia.

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Ainda tínhamos barras energéticas guardadas para emergências, que comemos ao pequeno-almoço, antes de partir para a próxima vila no dia 53. Para lá chegar, tínhamos de atravessar o mesmo rio que providenciava água no parque de merendas. Havia dois lugares onde se podia passar o rio: A estrada principal, o que significava um desvio de aproximadamente 4 km; ou uma ponte de pedestres a 2 km de distância. É óbvio o que escolhemos. E assim experienciámos a parte mais aventureira de longe na nossa viagem:

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Ficámos muito contentes quando sentíamos terra firme embaixo dos pés novamente e depois de uma bonita caminhada na praia, chegámos a Miķeļtornis. Vários turistas alemães a passear pela vila indicavam que havia alojamento no lugar, só não vimos nenhuma loja. Quando encontrámos um parque de campismo com restaurante, decidimos resolver a questão da comida por partes; primeiro almoçávamos, depois pensaríamos sobre as horas seguintes. Infelizmente o restaurante não tinha almoço naquele dia, apenas café e bolo. Enquanto devorávamos o nosso bolo como se não houvesse amanhã, a atendente chegou à nossa mesa e perguntou se queríamos salada. É claro que queríamos! Ela tinha notado o nosso desapontamento quando informara-nos que a cozinha estava fechada e resolveu preparar uma salada ela mesma – estava muito boa!
Entretanto conseguimos contactar o Uve e a Silvija, os nossos anfitriões para o feriado, e felizmente, eles já iam estar na casa de férias naquela tarde e não se importavam que nós chegássemos um dia mais cedo. Ainda melhor, o único autocarro de Miķeļtornis para Mazirbe, a aldeia mais próxima à casa dos nossos anfitriões, saía em uma hora, o que deixava tempo suficiente para terminar o almoço e chegar à paragem de autocarro. Em Mazirbe, podíamos fazer compras antes da Silvija chegar para buscar-nos. Agora a sensação de feriado ficou muito mais intensa com a quantidade de pessoas a fazer as compras de última hora. Especialmente a cerveja tinha muita saída.
Silvija e Uve eram anfitriões fantásticos. Uma das primeiras coisas que nos diziam era: “Fiquem o tempo que quiserem” e logo depois “Aqui está a máquina de lava-roupa”. Eles realmente sabem do que viajantes precisam! Tomámos umas cervejas e comemos peixe defumado da aldeia com eles no terraço da sua linda casa, até que os mosquitos obrigaram-nos a entrar.
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O dia de Jāņi começou com um pequeno-almoço descansado com os nossos anfitriões e mais duas visitas que tinham chegado da Austrália para passar o feriado na Letónia. Assim como no dia de Natal, passámos o dia com os preparativos para o jantar, enquanto assistíamos (ou ouvíamos) a programação festiva da televisão. Letónia é o país da música e danças populares, assim vimos uma grande variedade de lindos trajes típicos, milhares de coroas de flores a enfeitar as cabeças das raparigas e coroas de folhas de carvalho nas cabeças dos rapazes. A Moiken pôde ajudar a preparar os tradicionais pīrāgi, enquanto o José juntou-se aos outros homens para tomar a tradicional cerveja. Quando todos os convidados chegaram – todos eles letões autralianos – o Uve preparou deliciosas postas de salmão grelhado na chapa aquecida a lenha, que foram servidos juntos com uma grande escolha de saladas, salgados e verduras.

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Quando já não conseguíamos comer mais nada, cada um pegava numa garrafa de cerveja e caminhámos alguns minutos até a praia, onde a aldeia toda já estava reunida. Algumas famílias acenderam uma fogueira enorme, outras levantaram uma tocha gigante, raparigas com coroas de flores estavam a cantar músicas de Jāņi e todos estavam contentes de passar esta noite agradável na praia. Contaram-nos que estávamos com sorte, pois muitas vezes é chuvoso e frio na noite de Jāņi. Aqui estão algumas impressoões daquela noite, notem que as fotos foram tiradas entre as 23 horas e meia-noite:
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O dia seguinte estava cinzento e chuvoso, perfeito para passar o dia em casa e recuperar das festividades. Tínhamos o grande prazer de sentar e conversar com Silvija e Uve durante horas, a aprender tanto sobre a vida na Letónia e sobre a diáspora letã.
Ambos cresceram na Austrália, depois que seus respectivos pais deixarem a Letónia em 1945. Só na Austrália, havia em torno de 25.000 letões até recentemente. 100.000 letões passaram a viver na América do Norte depois de várias ondas de emigração e no total, aproximadamente 300.000 letões vivem no exterior – 15% dos 2 milhões de letões na Letónia! As comunidades letãs fazem um trabalho impressionante em manter a sua cultura no exterior; no seu país de residência, eles organizam campos de férias para a juventude letã (os nossos amigos conheciam assim a Austrália toda, pois todo ano o campo era organizado em outra cidade), têm coros e grupos de dança folclórica e até escolas letãs (na noite do solstício, conhecemos um ex professor da escola letã na cidade alemã de Münster). Depois que a Letónia ficou independente em 1991, muitos deles decidiram voltar à sua pátria – sabendo a língua e conhecendo as tradições sem nunca ter vivido no país.

No final do dia, preparámos um jantar com o que sobrou da noite anterior, o que teria dado para alimentar o mesmo número de pessoas novamente, e organizámos o nosso equipamento para voltar à estrada – isto é, à praia – no próximo dia.

a carregar o mapa - aguarde por favor...

Viesnica Zitari Hotel: 57.738218, 22.581818
Pitrags Kemping: 57.701286, 22.385270
Silvija and Uve: 57.704005, 22.386097
Jaunciems Campsite: 57.641486, 22.143597

2 Responses to Jāņi – Solstício de Verão

  1. Moiken and Jose,
    The post is great and manages to capture the spirit of Misummer. – though traditionally, there would be more singing, as well as leaps over the fire, when it had died down a little. Plus, we should have stayed on the beach until about 4am to greet the ‘sunrise’ – next time. It was a pleasure having you stay -you’re welcome anytime.
    Hope that things have gone smoothly since we parted company and that you are still enjoying the adventure. I am really interested to read about your experiences in Kaliningrad.
    Take care and all the best.
    Silvija

    • Thank you for the feedback, Silvija! It has been great staying with you. Without you, both us and our readers would still be ignorant of Midsummer in Latvia.
      All the best and hope to stay in touch!

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Estatisticas

km

12 países atravessados
319 dias de caminhada
89 dias de descanso

Actualizado em 11/06/2016 – CHEGAMOS A LISBOA!