Caminhada aventura de Talim a Lisboa!

Haapsalu

Chegou o dia 11 e estávamos a caminho de Haapsalu. Depois de mais que uma semana no campo, a ideia de chegar numa cidade criou grandes expectativas: Cafés simpáticos, bons restaurantes, supermercados, um pouco de entretenimento, um pouco de descanso. Tínhamos tanta pressa de lá chegar que até pegámos a linha de comboio.
Não, não da maneira que vocês pensam! Caminhámos num trilho construído em cima de uma antiga via férrea, que estava fora de uso por mais que 10 anos. Nos anos dourados de Haapsalu como estância de spa para a classe alta da Rússia e para a sua nobreza, esta linha ia até São Petersburgo e continuava para dentro da Rússia! Usando um pouco de criatividade na escolha dos caminhos, chegámos ao trilho. Uma vez nele, era 10 km em linha reta, a passar por três plataformas das antigas paragens de comboio.
No início da tarde, chegámos ao nosso alojamento para as próximas duas (!) noites, que se encontrava numa bonita casa de madeira. Um senhor amigável mostrou-nos o nosso quarto espaçoso e, em alemão, deu-nos muitas dicas boas de coisas para ver e fazer em Haapsalu. Quando ele ficou a saber que viemos a pé, ele até preparou duas bicicletas para o nosso uso durante a estadia.

Mochilas guardadas no quarto, de banho tomado e com roupa razoavelmente fresca, saímos para conhecer Haapsalu. Foi um dia bonito e ensolarado e com as bicicletas, parecia-nos que estávamos a voar de um lugar para o outro. Primeiro visitámos a praia mais próxima, onde também se encontra um dos hotéis de spa da cidade e depois fomos ver a antiga estação ferroviária. Se tivéssemos seguido o trilho em cima da linha de comboio até o fim, teríamos chegado aqui.
A estação é a realização do sonho dos amantes de comboios – impecavelmente restaurada e com várias locomotivas históricas de diferentes épocas expostas ao ar livre. A plataforma de embarque mede 214m de comprimento e é totalmente coberta; naquela época, não se queria que algum dos ilustres visitantes se incomodasse por ficar molhado ao descer do comboio.
A nossa volta continuou por uma área onde cada casa de madeira era mais fofinha que a outra, e terminou na Promenaadi com seu impressionante Kuursaal (Salão do Spa), feito todo em madeira. Depois de caminhar e andar de bicicleta o dia todo, precisávamos de uma pausa e encontrámos o lugar perfeito para isso no charmoso Müüriääre Kohvik. Uma seleção enorme de bolos, bom café e uma variedade de chás, ainda por cima pratos salgados deliciosos – nós poderíamos ter ficado lá o dia todo.

O próximo dia foi o dia oficial de descanso, portanto ficámos na cama até tarde, tomámos o pequeno-almoço prolongado e deixámos a casa só ao meio-dia, para chegar a horas ao nosso compromisso. Que compromisso? Bem, o que é bom para a nobreza russa, não pode ser mau para nós. Depois de 11 dias a carregar as mochilas ao longo de mais que 200 km, nós merecíamos um banho de lama.
Coisa engraçada, este banho de lama – uma funcionária do spa espalha uma camada generosa de lama do Mar Báltico, escura e quente, numa espécie de cama forrada com uma lona de plástico. Depois disto, nós deitamo-nos nela. No início, apenas as nossas costas sentem o calor viscoso (e o nariz nota um odor um tanto sulfúrico), depois o restante da lama é espalhado por cima de nós até ficarmos todos cobertos (com excepção da cabeça). Para a lama se manter quente durante os próximos 15 minutos, embrulham-nos com a lona de plástico, seguido de toalhas e um edredon grosso. Agora, embrulhados como um bebé, fechamos os nossos olhos e relaxamos. Os minerais contidos na lama em combinação com o calor devem aliviar as dores musculares assim como curar várias tipos de doença. E ajudou? Depende a quem vocês perguntam. A Moiken adorou a experiência e sentiu-se mais relaxada, o José achou quente e malcheiroso demais e não sentiu muita diferença.

Continuámos o nosso dia de preguiça e, sem mais visitas às atrações da cidade, fomos direto ao próximo ponto da nossa programação – tomar café com bolo na Müüriääre Kohvik. Desta vez, a Katrin acompanhava-nos; ela é membro da associação de caminhantes da Estónia e vive em Haapsalu. Descobrimos que tivemos muita sorte em encontrá-la na cidade – a maior parte do tempo, ela está em algum país da Europa como guia turística. Gostámos muito de passar tempo com ela, a conversar sobre a Estónia, o mundo e a vida em geral, e ela pacientemente respondeu a todas nossas perguntas. A última pergunta foi: “Onde vão as pessoas de Haapsalu jantar fora?” E ficámos muito contentes com a sua recomendação: Uma taberna aconchegante que servia refeições caseiras acompanhadas de cerveja local de barril. Um cálice de Vana Tallinn para finalizar o jantar e um dia perfeito!

No dia 13, a nossa caminhada foi relativamente curta, apenas 9 km até o porto de Rohuküla, onde nós íamos pegar o ferry para a ilha de Hiiumaa. Como queríamos ter certeza de lá chegar a tempo, saímos muito cedo e acabámos por ter um pouco de tempo no final. Usámos este tempo para satisfazer uma curiosidade: O nosso senhorio tinha-nos falado de um aeroporto militar inativo perto da estrada. Fomos até o lugar que ele indicou e encontrámos de facto uma dúzia de hangares e três enormes pistas de concreto – duas para os aviões em terra e uma pista de aterragem e descolagem.
Quando a hora de apanhar o ferry se aproximava, o vento estava a ficar cada vez mais forte. As nossas roupas protegiam-nos do frio e agora até tínhamos luvas (encontrámo-las no dia anterior na loja dos correios por 0.75€ o par!). Apenas a ideia de andar de ferry com um temporal assim não foi muito agradável.
Chegámos ao terminal de ferry pontualmente, comprámos os nossos bilhetes e caminhámos para o navio. Isto é, tentámos caminhar em linha reta, pois o vento tinha ficado tão forte que tínhamos de inclinar-nos contra ele e usar os bastões para ter mais estabilidade. As ondas batiam com força contra o cais, de forma que a água chegava até a estrada. De alguma forma conseguimos chegar a bordo, e de repente tudo estava calmo novamente. O navio era tão sólido e pesado que nem reagia ao temporal lá fora. Sentámo-nos nos assentos confortáveis e comprámos um lanche na loja de bordo. Assim, passámos uns 75 minutos muito agradáveis durante o trajeto para Hiiumaa, o primeiro destino da nossa volta pelas ilhas.

Este parágrafo deveria estar no próximo artigo, pois agora já chegámos às ilhas. Entretanto, nosso primeiro dia em Hiiumaa não foi um dia de caminhada. Por causa do mau tempo, não sentimos a mínima vontade de dormir na tenda e o lugar de alojamento mais próximo não estava aberto ainda. Então decidimos ficar num quarto do hotel do porto de Heltermaa, a ler, escrever e esperar o temporal passar. Se tivemos mais sorte com o tempo no próximo dia? Esperem pelo artigo “Volta pelas ilhas” para descobrir!

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Kiige turismitallu: 59.005412, 23.708462
Koidu: 58.928459, 23.534714
Heltermaa Hotell: 58.865605, 23.047472
Ferry Rohuküla: 58.906330, 23.424268
Ferry Heltermaa: 58.866879, 23.047943

2 Responses to Haapsalu

  1. Hallo ihr beiden Wanderer, wir haben über Pfingsten mit den Jungs eine Radtour von uns zu Hause nach Bremen gemacht. Es hat super viel Spaß gemacht und wir konnten viel Neues entdecken. Da habe ich so manches Mal an euch gedacht. Ist es bei euch auch so Ratten- kalt? Anstatt, dass wir uns im laufe eines aktiven Rad- Tages auszogen, mussten wir immer mehr anziehen. Die Handschuhe habe ich leider schon im Keller verstaut gehabt. So einen kalten Mai hatten wir schon lange nicht mehr. Aber was soll`s Spaß macht es auf jedenfall.
    Euch noch eine gute Zeit. Anfang Juli sind wir auf Rügen, wenn ihr in der Nähe seid oder ein Bett braucht, dann meldet euch. Liebe Grüße Kathrin und co.

    • Hallo Kathrin!
      Vielen Dank für deine Nachricht.
      Wir hören von allen Seiten, dass dies ein ausserordentlich kalter Mai ist und dass es letztes Jahr um diese Zeit eine Hitzewelle gab. In den letzten Tagen ist es glücklicherweise deutlich wärmer geworden, wir können jetzt tagsüber auch schon ohne Jacke wandern.
      Bis nach Rügen werden wir es im Juli leider noch nicht schaffen, aber schon bald steht unsere erste Grenzüberquerung bevor!
      Liebe Grüsse und bis bald, Moiken und José

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Estatisticas

km

12 países atravessados
319 dias de caminhada
89 dias de descanso

Actualizado em 11/06/2016 – CHEGAMOS A LISBOA!